A Comissão de Defesa dos Direitos dos Portugueses em França considera que o pagamento de uma propina anual de 120 euros pelos alunos de português que frequentem o ensino paralelo deixa “clara a vontade de privatização do ensino” da língua.

A Comissão afirma em comunicado que as medidas que o Governo vem tomando em relação ao Ensino do Português no Estrangeiro, seja a redução do número de professores na Europa, seja o pagamento de uma propina anual para frequentar as aulas, são decididas “atabalhoadamente, sem preparação, e sem procurar consensos na diáspora”.

“Está clara a vontade de privatização do ensino do português e de desrespeitar a nossa Constituição, o que não é aceitável”, lê-se no texto.

A comissão defende ainda que as diferentes comunidades portuguesas pelo mundo têm diferentes realidades e que, por isso, os sistemas de ensino do português não devem ser comparados.

O secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, explicou, em entrevista à agência Lusa, que pagando uma propina de 120 euros anuais, os alunos “recebem o manual escolar e têm acesso à certificação dos conhecimentos”.

Esta medida, disse ainda, será uma das primeiras a concretizar no âmbito da reforma da rede de ensino de português no estrangeiro, que está a ser estudada pelo secretário de Estado e que o Governo quer implementar antes do próximo ano letivo.

Quando, em janeiro, entraram em vigor os cortes decididos pelo Governo na rede de professores de português no estrangeiro, cerca de 2.700 alunos ficaram sem aulas em França. A Coordenação do Ensino levou depois a cabo um processo de reajustamento das turmas e recuperou quase 300 alunos.

Em fevereiro, o secretário de Estado afirmou que o Governo faria um esforço para “recuperar o maior número possível” de alunos no próximo ano letivo.

[Lusa  | JYF (CFF)]

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